Archive for the ‘Opinião’ Category

Documentários de verdade!

janeiro 22, 2010

Excelente blog para quem aprecia documentários que lutem contra a exploração laboral e infantil, a fome, a miséria, a guerra, a corrupção dos governos, a manipulação da mídia, a venda dos Estados em favor das corporações, a degradação ambiental, o preconceito racial, social e sexual, a crueldade com as pessoas e com os animais e, claro, contra a injustiça social.

Link: http://docverdade.blogspot.com

A revanche da cultura popular

janeiro 21, 2010

Logo após a queda do Muro de Berlim e a derrocada do Socialismo, muitos historiadores e pensadores deram como certo o “fim da história” e a hegemonia despótica do sistema capitalismo a nível global. No início dos anos 1990, o maior fenômeno da história dos homens toma forma e abrangência: a globalização. Dentre suas várias facetas (econômica, financeira e técnica), a mais desafiadora e eficaz é, sem dúvida, a globalização cultural. Generalizando os exemplos, hoje nós assistimos aos mesmos filmes (hollywoodianos), comemos as mesmas comidas (fast foods), vestimos as mesmas roupas (jeans), falamos a mesma língua (inglês), ouvimos as mesmas músicas (pop/rock) e comungamos de um pensamento universal (todos ligados às redes sociais), relativista (“tudo que é sólido se desmancha no ar”) e policultural (não numa perspectiva de respeito às microculturas, mas de inclusão de todos no sistema capitalista de consumo).

.

Cria-se, portanto, paralelamente ao sistema-mundo político-econômico, um sistema-mundo cultural, resultante da produção cultural que privilegia a hiperinformação como instrumento de difusão de valores desse novo ideário. Essa cultura de massa sobrepujante é produto de uma conjugação de esforços mercantilistas que utilizam os meios de comunicação de massa (TV, rádio, revista, jornal e internet) para transformar cultura em mercadoria, algo que pode ser absorvido e comprado, e, além disso, construir um projeto comum e hegemônico. Esse projeto de cultura padronizada despopularizou a cultura popular com uma nova forma de censura. Não se proíbe ou taxa de “mau gosto” ou “baixa qualidade” a cultura popular, o argumento mercadológico mais usado é o de “isso não vende mais”, quando na verdade, para “vender” cultura basta repeti-la à exaustão.

.

Não tão visível, observamos um combate silencioso travado pela cultura popular (sim, aquela produzida fora dos contextos institucionalizados e mercantis). Os mesmos instrumentos, utilizados para massificar uma conduta cultural hegemônica, vêm sendo utilizados para a emancipação de comunidades indígenas, comunidades periféricas e movimentos populares e de contracultura. O acesso aos novos meios de telecomunicação, microeletrônica e informática (telemática) proporciona a criação de novas formas de mobilização na “periferia” do sistema-mundo cultural. Essa oportunidade possibilita à “periferia” criar novas formas de inventar/reinventar o mundo, formar opinião e debater assuntos centrais através da arte.

.

Assistimos uma verdadeira rebelião da cultura popular sobre a cultura de massa, utilizando instrumentos que, originalmente, foram criados no berço da cultura padronizada. Documentários realizados com câmeras digitais comuns, curtas-metragens feitos com câmeras de telefones celulares, músicas produzidas em home studio, a ascensão das “rádios-favela”, o uso da blogosfera para questionar as “verdades” jornalísticas…

Marco Abreu dos Santos

Regionalização do Brasil

dezembro 14, 2009

Regionalização do IBGE: oficial do Estado, leva em consideração as fronteiras políticas dos estados. Vantagem: maior disponibilidade de material para pesquisa e maior divulgação na mídia. Desvantagem: desconsidera aspectos naturais e socioeconômicos importantes na fragmentação do território, além disso, o número de regiões para estudar é maior.

Regiões Geoeconômicas ou Complexas Regionais: elaborada na década de 1960 pelo geógrafo Pedro Pinchas Geiger, considera características históricas, naturais e econômicas sem se preocupar com as fronteiras políticas interestaduais. Vantagem: estabelece critérios mais relevantes, do ponto de vista conceitual, na individualização das partes do território brasileiro. Desvantagem: escassez de material pedagógico.

Dê sua opinião:

ENCONTRO COM MILTON SANTOS

dezembro 2, 2009

O Mundo Global visto do lado de cá.


Gênero: Documentário
Duração: 89 minutos
Direção: Silvio Tendler

DOWNLOAD:

Badongo

Torrent

Última entrevista gravada com o professor Milton Santos no dia 4 de janeiro 2001. Num total de nove partes, o vídeo aborda a temática da globalização e seus efeitos, sobretudo, nos países subdesenvolvidos do planeta.

Parte 1 (Introdução)

Nessa primeira parte, é feito um resgate histórico do processo globalizatório divido em: a primeira globalização (iniciada no século XVI a partir das grandes navegações marítimas) e a segunda globalização (intensificada no final do século XX, após o colapso do mundo socialista, a queda das barreiras, o advento da terceira revolução industrial e construção de um espaço “fluido”).

O vídeo exemplifica as desigualdades sociais entre os países e como estas se intensificaram após a consolidação da globalização.

Para Milton Santos, existem três mundos:

O mundo tal como nos fazem vê-lo: a globalização como fábula.

O mundo tal como ele é: a globalização como perversidade.

E o mundo tal como ele pode ser: o mundo como possibilidade… “uma OUTRA globalização.

Frase bacana: “o consumismo é o maior dos fundamentalismos” Milton Santos

Parte 2 (Neoliberalismo)

Nessa segunda parte, o vídeo mostra as conseqüências desastrosas do receituário neoliberal do Consenso de Washington para a América Latina. Em Quito (Equador), em Cochabamba e La Paz (Bolívia), em Buenos Aires (Argentina) e no Rio de Janeiro (Brasil) pessoas se revoltam contra a desnacionalização de suas economias e a onda de desemprego e falências.

Para Milton Santos, as empresas transnacionais, consideradas “centros-frouxos”, fogem ao controle dos Estados, desorganizam os territórios e não se comprometem com a realidade social dos países. Essa produção descentralizada (fábrica global) é exemplificada, no vídeo, com o caso da empresa estadunidense Boeing que recebe componentes de seus aviões de mais de 300 fornecedores do mundo inteiro.

Frase bacana: “A ilusão da moeda controlada e do consumo forte anestesiou a população mediante as “privatizações-saques”. (“saques” por minha conta)

Parte 3 (Desemprego, Fome e Água)

Nessa terceira parte, o vídeo denuncia a perversidade da exploração do trabalho no mundo globalizado. Empresas como a Nike, por exemplo, espalham-se mundo a fora em busca de mão-de-obra extremamente barata e custos baixos para a produção e geram, com isso, desemprego em seu país de origem. Com a globalização, o desemprego aumentou assustadoramente, os pobres ficaram ainda mais pobres e a classe média perdeu em qualidade de vida. Hoje, 1,5 bilhão de pessoas vive com menos de US$ 1,00 ao dia.

Para Milton Santos, o planeta consegue produzir uma quantidade suficiente para alimentar todas as pessoas. O problema não é a quantidade de comida, mas como está distribuída. São os mecanismos globais é que decidem quem deve ou não comer.

O vídeo aborda a questão da privatização da água por algumas empresas transnacionais e os movimentos sociais que contestam, afirmando que a água é um bem global.

Frase bacana: “A humanidade se divide em dois grupos: o grupo dos que não comem e o grupo dos que não dormem, com medo da revolta dos que não comem”. Josué de Castro.

Parte 4 (Imigração e o poder da mídia)

A maior contradição da globalização é apresentada nesse vídeo: a livre circulação de mercadorias, informações e capitais contrasta com os sólidos muros da internacional capitalista que impede a circulação dos indivíduos em busca de emprego, comida, água e paz. EUA e Europa travam guerras constantes para evitar a entrada de imigrantes em seus territórios.

Outra abordagem do vídeo é o poder midiático como ideologia sustentadora da globalização-fábula. Seis empresas controlam 90% da mídia mundial. Os acontecimentos noticiados são interpretados de acordo com interesses predeterminados, uma vez que as agências de notícia pertencem às grandes empresas. Esses meios de comunicação erigiram o livre mercado como pensamento único, como motor da globalização econômica e, assim, anunciaram o fim da história.

Para Milton Santos, esses meios de comunicação controlam de maneira extremamente eficaz a interpretação das coisas que se passam no mundo. A repetição servil dos textos e das imagens não nos permite aferir as notícias.

Frase bacana: “A informação é o grande instrumento da grande finança, instrumento do processo de globalitarismo e de formas totalitárias de vida”. Milton Santos

Parte 5 (A técnica como plataforma para a liberdade)

Essa parte mostra como novas técnicas contribuem para a emancipação das comunidades indígenas, as comunidades periféricas e os movimentos populares. O acesso aos novos meios de telecomunicação, microeletrônica e informática (telemática) proporcionam a criação de novas formas mobilização na periferia.

Para Milton Santos, podemos ser universais sem perder a nossa cultura, sem deixar de sermos “indígenas”. A possibilidade de acesso aos meios da telemática possibilita à periferia criar novas formas de inventar/reinventar o mundo, formar opinião e debater assuntos centrais.

Parte 6 (A Revanche da Cultura Popular)

Nessa parte, o documentário expõe uma verdadeira rebelião da cultura popular sobre a cultura de massa utilizando instrumentos que, originalmente, foram criados no berço da cultura padronizada.

Para Milton Santos, “o mundo como possibilidade” só poderá ser construído pelos atores de baixo (populações pobres, países pobres e continentes pobres). Combates silenciosos estão sendo travados nos bastidores da geopolítica mundial: o fortalecimento do islã, a revolução educacional da Índia e o sucesso econômico da China, que combina planejamento estatal com mecanismos de mercado.

Parte 7 (Os olhares do sul)

Intelectuais africanos e latino-americanos afirmam que esses dois continentes podem oferecer ao mundo uma possibilidade de coexistência pacífica, de alternativas à sociedade de consumo que alimenta as guerras e dizima populações.

Para Milton Santos, nós devemos pensar esse mundo novo a partir de nós mesmos. Devemos deixar de imitar os europeus e os norte-americanos e construir nossa visão de mundo. Afirma que existe a ética dos poderosos (que não é uma ética), a ética dos que não tem nada e a ética dos desesperados que encontram na violência o caminho para a mudança. A ética dos poderosos encontra respaldo no direito e nas decisões judiciais, porém, a ética dos pobres começa a ganhar voz na sociedade e criar bases históricas para uma mudança eficaz que atenda a maioria.

Parte 8 (Polifonia Política)

Nessa parte, o vídeo apresenta a forma de organização do maior movimento social do Brasil: o MST. Demonstra como o movimento criou novas formas de solidariedade e cidadania através de novos mecanismos de reivindicação. Com o fracasso da democracia, os movimentos populares optaram pela ação direta, pela invasão das ruas, dos prédios públicos e das fazendas improdutivas como forma de protesto.

Para Milton Santos, apesar das formas organizadas e desorganizadas de reivindicação, somente através do Estado é que as mudanças virão. Santos descarta o papel das ONG’s e do terceiro setor, uma vez que estes atendem somente a determinados setores da sociedade. O Estado é que está imbuído de realizar as mudanças socializantes, porque as fontes criadoras de desigualdades sociais foram engendradas por meio deste.

Frases legais:

Nós, a classe média, não queremos direitos, queremos privilégios”. Milton Santos

Feita a revolução nas escolas, o povo a fará nas ruas”. Florestan Fernandes

Parte 9 (Por uma outra Globalização)

Para Milton Santos, a globalização é uma forma de totalitarismo, assim como o nazifacismo. A sociedade atual afirma a liberdade e, ao mesmo tempo, a nega. Formas de ação que fogem do padrão são rapidamente censuradas e punidas. A globalização produz esse globalitarismo, que existe para reproduzir a globalização.

Uma outra globalização é possível se nós estivermos dispostos a transgredir os valores da globalização perversa para que possamos construir uma humanidade solidária.

Texto elaborado por Marco Abreu dos Santos

Que “Geografia” iremos ensinar?

agosto 6, 2009

O ensino de Geografia contemporâneo encontra-se dividido em três grandes correntes de pensamentos que norteiam a prática pedagógica dos nossos educadores.

As três correntes ideológicasdúvida

Geografia Pragmática e Quantitativa: caracterizada pelo uso incessante de técnicas estatísticas e matemáticas e modelos de representação na compreensão das questões geográficas. Preocupada com uma intensa descrição do espaço geográfico e alheia aos problemas sociais e à agressão ao meio ambiente.  Características: tendência a estudos fragmentados (geografia dos lugares, não dos homens), explicações objetivas e quantitativas, não politizada.

Base filosófica: POSITIVISMO.

Geografia Crítica Radical: caracterizada pela preocupação com as injustiças sociais que permeiam as relações homem-homem no espaço geográfico e que propõe uma Geografia militante que se preocupe em mudar a realidade do espaço através de um discurso explicitamente político da luta de classes. Essa corrente costuma taxar de alienante ou reacionária qualquer explicação subjetiva da relação homem-natureza.

Base filosófica: MARXISMO (materialismo histórico e dialético).

Geografia da Percepção ou Humanística: caracterizada por preocupar com a apreensão da essência, pela percepção e pela intuição. É através da experiência vivida e adquirida pelo indivíduo, que se procura entender o mundo e as relações do homem com a natureza, bem como seus sentimentos e idéias a respeito do lugar.

Base filosófica: FENOMENOLOGIA

Participe, dê sua opinião votando na enquete abaixo ou comentando esse “post”.

O ensino de Geografia contemporâneo encontra-se dividido em três grandes correntes de pensamentos que norteiam a prática pedagógica dos nossos educadores.

Participe, dê sua opinião votando na enquete abaixo e/ou comentando esse “post”.